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Acolhimento infantil na educação infantil: importância

acolhimento infantil

Acolhimento infantil é muito mais do que “receber” uma criança. É construir um ambiente seguro, afetivo e respeitoso, no qual ela se sinta vista, escutada e pertencente. Tanto na escola quanto em outros contextos de proteção. A seguir, veja um artigo completo, com foco em educação infantil e referências a materiais de instituições e autores reconhecidos.


O que é acolhimento infantil, afinal?

Quando se fala em acolhimento infantil, muitas pessoas pensam apenas no primeiro dia de aula ou na receção da criança na porta da escola. No entanto, o conceito é bem mais amplo e profundo.

  • Primeiramente, acolher significa unir cuidado e educação em práticas humanizadas, que consideram a criança em sua totalidade – corpo, emoções, vínculos, cultura e história familiar.
  • Adicionalmente, o acolhimento também aparece em políticas de proteção, como serviços de acolhimento familiar e institucional, voltados a crianças em situação de risco.​

Assim, o acolhimento infantil pode ser entendido como um modo de organizar relações, espaços e rotinas para garantir segurança emocional. Também, vínculos estáveis e respeito às singularidades de cada criança.


Por que o acolhimento é tão importante na educação infantil?

Na educação infantil, o acolhimento é a base da relação da criança com a escola e, muitas vezes, com o próprio ato de aprender. Nesse sentido, ele influencia desde a adaptação inicial até a forma como a criança lida com desafios ao longo de toda a trajetória escolar.

  • Quando a criança se sente acolhida, aumenta a confiança para explorar o espaço, aproximar-se de outras crianças e criar vínculo com os adultos de referência.
  • Do mesmo modo, um acolhimento sensível reduz medos relacionados à separação da família, favorece a autorregulação emocional e facilita a participação em atividades pedagógicas.

Diversos estudos destacam que acolher é, também, escutar o que a criança sente e expressa quando chega à escola, principalmente as crianças pequenas. Portanto, o modo como o adulto interpreta choros, silêncios, resistências e curiosidades faz diferença direta na qualidade dessa experiência.​

Para aprofundar esse olhar, uma leitura interessante é o trabalho “A importância do acolhimento na educação infantil”, disponível no repositório da UFRGS. Outro material de apoio, voltado a professores da rede pública, é o caderno “Acolhimento na Educação Infantil”, da Secretaria de Educação de Marília.


Acolhimento, adaptação e vínculo: não é tudo a mesma coisa

À primeira vista, acolhimento e adaptação parecem sinónimos. Entretanto, existe uma diferença importante entre esses termos, especialmente quando se observa a rotina das creches e pré-escolas.

  • Em geral, “adaptação” costuma ser associada às primeiras semanas de aula, quando a criança e a família se habituam ao novo espaço, horários e pessoas.
  • Já o acolhimento é uma atitude permanente, que se expressa todos os dias, em cada chegada, despedida, refeição, brincadeira ou conversa com a família.

Desse modo, uma escola pode ter um “período de adaptação”, mas precisa assumir o acolhimento como eixo que orienta a organização do trabalho pedagógico. Isso implica criar tempos mais flexíveis, rotinas previsíveis e relações de confiança entre criança, professores e demais profissionais.​​


Como promover o acolhimento infantil na prática?

Para transformar o acolhimento em prática diária, é essencial que a escola pense no conjunto: pessoas, espaços, rotinas, materiais e comunicação com as famílias. A seguir, algumas dimensões que ajudam a estruturar esse trabalho de forma intencional.

Organização do espaço físico

O ambiente é um dos primeiros “cuidadores” que a criança encontra ao chegar na escola. Por isso, a forma como o espaço é preparado comunica, de imediato, se ela é bem-vinda. E se aquele lugar foi pensado para o seu tamanho, a sua curiosidade e o seu ritmo.

  • Espaços com objetos à altura das crianças, cantinhos de leitura, brincadeiras de faz-de-conta, áreas macias para descanso e locais calmos para se regular emocionalmente favorecem a sensação de segurança e autonomia.
  • Além disso, elementos que remetem à casa e à família, como fotos, desenhos ou objetos significativos, ajudam a criança a construir ponte entre os diferentes contextos em que vive.

Um bom ponto de partida é explorar orientações de especialistas sobre organização do espaço na educação infantil, como as publicadas pela Nova Escola, que discute a intencionalidade pedagógica na arrumação da sala.

Rotinas previsíveis e flexíveis

O acolhimento também se concretiza por meio de rotinas que ofereçam previsibilidade, sem serem rígidas a ponto de ignorar as necessidades do grupo. Assim, a criança aprende o que acontece ao longo do dia e sente que o ambiente é confiável.

  • Rotinas visuais, quadros com imagens e combinados construídos com as crianças são estratégias que auxiliam na compreensão do tempo e das sequências de atividades.
  • Ao mesmo tempo, é importante que a equipa esteja disponível para ajustar horários, acolher atrasos, lidar com dias em que as crianças chegam mais sensíveis ou cansadas, e criar momentos de pausa quando necessário.

Materiais formativos de redes municipais brasileiras, como o caderno de acolhimento de Marília, oferecem exemplos concretos de rotinas, sugestões de atividades e orientações para a organização do tempo.

Escuta ativa e observação sensível

Nenhum ambiente bem decorado substitui a escuta genuína da criança. Portanto, um dos pilares do acolhimento infantil é a capacidade do adulto de observar, interpretar e responder às expressões do corpo, da fala e dos gestos.​

  • A escuta ativa implica fazer perguntas abertas, validar sentimentos, nomear emoções e, sobretudo, dar tempo para a criança se expressar, sem apressar respostas.
  • Paralelamente, a observação contínua permite identificar sinais de desconforto, insegurança, regressão ou agitação, ajudando a ajustar intervenções e a dialogar com a família de maneira mais assertiva.

Um artigo recente sobre “criança, escola e acolhimento institucional” destaca o papel da escola na socialização de crianças que vivem em lares de acolhimento, reforçando a importância de uma escuta atenta às experiências de ruptura e perda.

Parceria constante com as famílias

A relação entre escola e família é peça-chave para um acolhimento consistente. Afinal, a criança se movimenta entre esses dois mundos e precisa perceber que existe coerência, diálogo e respeito entre eles.

  • Reuniões individuais, canais de comunicação acessíveis, bilhetes acolhedores, registos das conquistas diárias e convites à participação em eventos são formas práticas de fortalecer essa parceria.
  • Além disso, escutar as famílias – inclusive suas histórias de escolarização, expectativas e receios – ajuda a evitar julgamentos e a construir planos de apoio mais ajustados à realidade de cada criança.

Diversos colégios e instituições compartilham em seus sites como estruturam essa relação, enfatizando que acolher crianças implica acolher, também, as famílias em suas diferentes configurações.


Acolhimento institucional e familiar: quando o cuidado precisa ir além da escola

Embora este artigo foque sobretudo o contexto da educação infantil, é importante lembrar que o termo “acolhimento” também é usado em políticas de proteção de crianças e adolescentes em situação de risco. Nesse campo, fala-se em acolhimento institucional e acolhimento familiar.

  • O acolhimento institucional refere-se a serviços que oferecem moradia temporária, cuidados e acompanhamento a crianças e adolescentes afastados de suas famílias por medida de proteção.
  • O acolhimento familiar, por sua vez, consiste na inserção temporária em famílias selecionadas e preparadas para receber essas crianças, garantindo vínculos mais próximos de uma vivência doméstica.

Pesquisas recentes mostram que o processo educativo, nesses contextos, não deve ser visto como algo secundário, mas como um componente essencial para garantir direitos e favorecer o desenvolvimento integral. Documentos e artigos académicos discutem, ainda, a necessidade de ações articuladas entre serviços de assistência social, saúde e educação, para que a criança não permaneça institucionalizada por tempo superior ao necessário.

Quem deseja conhecer mais sobre a rede de acolhimento institucional no Brasil pode consultar artigos como “Acolhimento institucional de crianças e adolescentes” e estudos que abordam a relação entre escola e crianças acolhidas, disponíveis em periódicos científicos nacionais.


Boas práticas de acolhimento infantil: referências para continuar estudando

Ao planejar um projeto pedagógico mais acolhedor, vale buscar inspiração em produções teóricas e em experiências consolidadas. Abaixo, alguns tipos de materiais que podem aprofundar o estudo:

  • Artigos académicos sobre acolhimento na educação infantil, como os produzidos em programas de formação docente e disponíveis em repositórios universitários.
  • Textos de divulgação pedagógica que tratam, em linguagem acessível, da importância do acolhimento, da organização do espaço e da escuta das crianças, como os oferecidos por portais educacionais.

Além disso, experiências de acolhimento na primeira infância, como as inspiradas na abordagem de Emmi Pikler, ajudam a pensar rotinas cuidadoras centradas na relação, na previsibilidade e na autonomia do bebé. Esses materiais mostram como pequenos ajustes na forma de trocar uma fralda, oferecer uma refeição ou pôr a criança para dormir têm impacto direto na construção de vínculo e na sensação de segurança.

Por fim, materiais elaborados por secretarias de educação, tanto municipais quanto estaduais, oferecem guias práticos, sequências de atividades e orientações sobre como receber crianças que retornam à escola após períodos de afastamento, como aconteceu no pós-pandemia. Esses documentos trazem sugestões de jogos, rodas de conversa, produções artísticas e momentos de partilha que ajudam a reconstruir vínculos e a ressignificar experiências difíceis.

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