Quando “birra” não é birra: entendendo o processamento sensorial infantil
Você tenta de tudo. Ainda assim, seu filho “explode” no supermercado. Ou então recusa uma roupa que parece normal. Às vezes, uma simples ida ao banho vira uma guerra. No entanto, lá no fundo, você sente que não é teimosia. E, de fato, pode haver uma explicação mais gentil — e muito mais útil.
É aqui que entra o processamento sensorial infantil. Em outras palavras, trata-se da forma como o cérebro recebe, organiza e responde às sensações do corpo e do ambiente. Quando esse sistema fica desregulado, a criança reage com intensidade. Às vezes, evita estímulos. Em outras, busca estímulos o tempo todo. Por isso, o dia a dia vira um verdadeiro quebra-cabeça.
E não, você não está sozinha. Além disso, você não falhou como mãe. Na verdade, você só está lidando com algo que quase ninguém ensinou a identificar.
A grande virada acontece quando você entende o que está por trás do comportamento. Nesse momento, você deixa de brigar com o sintoma — e começa a ajudar a causa.

O que é processamento sensorial infantil
De forma simples, o cérebro funciona como um maestro. Ou seja, ele precisa equilibrar sons, luz, toque, cheiros, sabores e movimento. No entanto, no Transtorno do Processamento Sensorial (TPS), essas sensações podem chegar “alto demais”, “baixo demais” ou fora de sintonia.
Como consequência, surgem alguns padrões bastante comuns:
- Hipersensibilidade: estímulos leves já parecem excessivos. Assim, a criança evita barulhos, luz forte, certas texturas e até abraços.
- Hipossensibilidade: a sensação não chega com intensidade suficiente. Por isso, a criança busca impacto, movimento, pressão e estímulos intensos.
- Perfil misto: em alguns momentos evita, em outros busca estímulos. Dessa forma, o comportamento parece imprevisível.
Ainda assim, é importante destacar: o TPS pode coexistir com outras condições, como TDAH, TEA ou ansiedade. Por isso, observar com calma faz toda a diferença.
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Sinais do processamento sensorial infantil por idade
A seguir, veja alguns sinais práticos. Contudo, lembre-se: sinal não é diagnóstico. Mesmo assim, ele aponta caminhos importantes.
Sinais mais comuns por fase
2 a 5 anos
Choro em locais barulhentos, recusa de roupas, medo de balanço e seletividade alimentar.
➡️ Estímulos intensos demais ou busca de estímulo para se regular.
6 a 8 anos
Dificuldade de foco em ambientes barulhentos, explosões após a escola, resistência à higiene e dificuldades na escrita.
➡️ Sobrecarga sensorial associada ao cansaço acumulado.
9 a 12 anos
Evita grupos, apresenta ansiedade escolar, irritabilidade, rigidez com rotinas e baixa autoestima.
➡️ A criança já percebe que “é diferente” e tenta se proteger emocionalmente.
Perceba: quanto maior a criança, mais invisível o sofrimento pode parecer. Porém, o impacto emocional tende a aumentar.
Observar ou buscar ajuda? Um guia sem culpa
Você não precisa correr para rotular. Ainda assim, também não precisa esperar “passar sozinho”.
Um caminho seguro costuma ser:
- observar por 2 a 4 semanas, com anotações simples;
- considerar avaliação quando acontece quase todos os dias e gera sofrimento;
- buscar ajuda imediata se houver risco, regressão importante ou sinais neurológicos.
Uma pergunta-chave ajuda muito:
👉 Nossa família está mudando toda a rotina apenas para evitar crises?
Se a resposta for sim, vale aprofundar.
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O que fazer esta semana: um plano prático e realista
Agora vem a parte que alivia. Porque, embora você não controle tudo, você pode começar pequeno. E sim, pequeno funciona.
Plano em 4 passos (7 dias)
1️⃣ Observe e registre três situações por dia (hora, local e estímulo provável).
2️⃣ Procure padrões: acontece sempre no fim do dia? Em locais barulhentos?
3️⃣ Faça apenas uma mudança por vez (luz, roupa, rotina visual).
4️⃣ Converse com simplicidade: “Isso incomoda? O que ajuda?”
Enquanto isso, respire. O objetivo não é zerar crises, mas reduzir sobrecarga e aumentar regulação.
Estratégias de regulação em 5 a 10 minutos
Quando a crise chega, a vontade é resolver rápido. Porém, o que mais ajuda costuma ser previsível e repetível:
- respiração com movimento (abrir e fechar os braços);
- pausa proprioceptiva (empurrar parede, pular, carregar algo pesado);
- canto calmo, sem punição;
- estímulo tátil: massinha, bolinha antiestresse, caixa sensorial.
Dica de ouro: funciona melhor antes do limite. Ou seja, não espere a explosão.
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Quando o desconhecido cansa mais do que o comportamento
Muitos pais não sofrem apenas com o comportamento da criança, mas com a falta de compreensão sobre o que está acontecendo. Essa sensação de lidar com o desconhecido gera culpa, exaustão e insegurança, mesmo quando se está fazendo o melhor possível.
Pensando exatamente nessa dor, desenvolvi o Guia Prático de Regulação Sensorial Infantil — um material claro, acolhedor e baseado em evidências, criado para ajudar pais a entenderem por que certos comportamentos acontecem e como agir de forma mais segura e eficaz no dia a dia.
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Escola e família: como conversar sem conflito
Muitos pais travam nesse ponto. No entanto, a conversa flui melhor quando você troca rótulos por exemplos concretos.
Você pode dizer:
“Percebemos que certos estímulos dificultam a participação. Gostaríamos de alinhar estratégias simples para facilitar o dia a dia.”
Leve:
- dois ou três exemplos reais;
- estratégias que funcionam em casa;
- um pedido objetivo (pausa de movimento, instrução visual, assento adequado).
Moral da história
Se hoje você se sente cansada, confusa ou culpada, respire. Você não precisa ser perfeita para ser uma boa mãe. E, sobretudo, seu filho não precisa se encaixar para merecer acolhimento.
Quando você entende o processamento sensorial infantil, você troca julgamento por estratégia. E, aos poucos, o que parecia sem explicação ganha caminho, ganha calma e ganha esperança.
🔗 Links internos
Brincar é essencial: https://cantinhodospais.com/brincar-e-essencial/
Sono infantil: https://cantinhodospais.com/sono-infantil/
Desenvolvimento da autorregulação: https://cantinhodospais.com/desenvolvimento-da-autorregulacao/
Desenvolvimento da linguagem infantil: https://cantinhodospais.com/desenvolvimento-da-linguagem-infantil/

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